Ex-presidente do Peru atira em si mesmo após polícia tentar prendê-lo

O ex-presidente do Peru Alan García atirou em si mesmo após a polícia chegar à casa dele em Lima para prendê-lo, nesta quarta-feira (17), por ligação com investigação de suborno relacionada à empreiteira Odebrecht, disse uma fonte de polícia.
García foi levado imediatamente ao hospital Casimiro Ulloa, disse a fonte, que pediu anonimato porque não estava autorizada a falar com a mídia.
Segundo o jornal peruano La República, o ex-presidente tentou se suicidar com um tiro na cabeça — os agentes o encontraram já ferido em sua própria residência.
A TV local America informou que García passa por uma cirurgia de emergência e estava em situação crítica. Imagens do filho de García e de apoiadores chegando ao hospital foram exibidas na televisão peruana.
‘Invenção de intermediários’
Mais cedo nesta semana, García classificou como especulação qualquer tentativa de vinculá-lo com as propinas pagas a seu ex-secretário pela construtora Odebrecht para vencer a licitação das obras da linha 1 do metrô de Lima.
“Como em nenhum momento sou mencionado e nenhum indício ou evidência me atinge, só resta a especulação ou a invenção de intermediários. Jamais me vendi e está provado”, disse García em mensagem publicada no Twitter.
Recentemente, o Ministério Público peruano encontrou mais de US$ 4 milhões depositados pela Odebrecht em contas de Luis Nava, que foi secretário da presidência no segundo mandato de García, e do filho de Nava, José Antonio.
As transações, reveladas pelo site IDL-Reporteros, teriam sido feitas pelo setor de “operações estruturadas” da Odebrecht, esquema criado pela construtora brasileira para pagar propina em diferentes países da América Latina.
Envolvimento de outro presidente
No início do mês, outro ex-presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, de 80 anos, teve a prisão preventiva decretada dentro das investigações que apuram as propinas pagas pela Odebrecht no país. Ele passou sua primeira noite na cadeia no dia 11 de abril.
Kuczysnki está na sede da Polícia Nacional em Lima, onde a líder da oposição, Keiko Fujimori, também permaneceu após ser acusada de lavagem de dinheiro. Ex-candidata a presidência e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko foi inocentada das acusações após cumprir oito dias de detenção preventiva no último mês de novembro.
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