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Aeromoças italianas protestaram contra obrigatoriedade das vacinas?

Na última quarta-feira (27), uma gravação de mulheres fazendo uma manifestação pacífica na Itália viralizou em grupos virtuais de mensagem. A legenda que acompanha o vídeo é curta e objetiva: “Itália: aeromoças fazem um protesto em praça pública, contra a vacina obrigatória do Covid-19”. Apesar da mensagem ter sido deletada do chat do grupo, a publicação foi vista mais de 2,3 mil vezes antes de ser apagada.

Trata-se de um protesto, no estilo chamado de “flashmob”, que aconteceu em 20 de outubro, em frente ao Capitólio, na capital italiana, Roma. As imagens são reais e as aeromoças iniciaram o manifesto com seus uniformes de trabalho e, aos poucos e ao mesmo tempo, terminaram com camisolas. Em seguida, elas deixaram seus sapatos sozinhos e fizeram uma grande roda em volta dos calçados. Por fim, se juntaram e entoaram um coro de protesto.

Contudo, a manifestação não tem nenhuma relação com a imunização contra Covid. O ato foi realizado em razão da falência da companhia aérea para qual as mulheres trabalhavam, a Alitalia. O jornal italiano, Corriere della Sera, gravou o evento e colocou em seu canal oficial no Youtube. O título dado pelo noticiário foi: “Alitalia, trabalhadoras se despem no Capitólio em protesto”.

Em outro vídeo, também do Corriere della Sera, uma das mulheres presentes na manifestação é entrevistada pelo repórter e esta afirma que o protesto tem como finalidade única manifestar a perda dos empregos e da própria companhia aérea. “As mulheres da Alitalia denunciam os danos profundos da perda do trabalho. Esse é o significado desse ato” disse a entrevistada.

Além do Corriere della Sera, outros dois veículos italianos cobriram a manifestação e em momento nenhum falaram sobre vacinação. O jornal Il Messaggero usou o protesto de exemplo para um artigo sobre manifestações que partem de mulheres e o portal Sky TG24 publicou em seu site e no Twitter, o vídeo do ato.

No ínicio do mês, a Alitalia encerrou suas atividades após 74 anos no mercado. A ideia é dar passagem para a jovem startup, ITA (Italia Trasporto Aereo). Por anos, a companhia precisou de auxílio financeiro para se manter e agora, deixa de exercer suas atividades. As negociações foram feitas entre Roma e a União Europeia e de acordo com a agência AFP, a maioria dos funcionários da Alitalia não será reintegrada no grupo de trabalhadores da ITA.

Em setembro, o país europeu foi o primeiro a decretar, para trabalhadores, o “passaporte de vacinação”. Isto é, os italianos deveriam apresentar comprovante de imunização, teste negativo ou testes de recuperação nos locais de trabalho. Em trens, cinemas, restaurantes, academias e piscinas italianas o documento já era requerido. Até 27 de outubro, a Itália tinha 72% da população completamente imunizada contra Covid.

Portanto, se trata de uma notícia falsa. As imagens das aeromoças tirando seus uniformes em frente ao Capitólio são reais, porém nada tem a ver com obrigatoriedade de vacinação. As trabalhadoras se manifestavam pela perda de seus empregos e não por serem contrárias às políticas de imunização da Itália.

Apesar da mensagem ter sido apagada do grupo onde encontramos, decidimos manter a checagem porque esse tipo de notícia falsa desaparece, mas depois costuma reaparecer em outros grupos ou redes sociais.

 

Gazeta Digital 

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